domingo, 6 de maio de 2012

MULHER-ÁGUA

                                                                                   Para Dona Carminha, minha Avó.

Ela é espírito
Vestido azul, casamento de cristais
E será destino
Na cidade da palavra
E no sonho de Iemanjá

Ela é fé
Perfume de mãe, desenho de maça
E será vitória
Na casa do Nordeste
E no vinho do crepúsculo

Ela é emoção
Música da lua, sensibilidade do mar
E será perfeição
Na biblioteca de Deus
E no diamante do trabalhador

Meu poema e meu peixe
Eternizam a água do amor

terça-feira, 20 de março de 2012

PRIMEIRO LIRISMO

Nas lutas (ao léu) por terras
Comendo o meu sol, a mulher-fogo se abre em luz!!!

Onde estão os olhos do povo ?

Esqueceremos o auge do vermelho,
Lutas populares, PT, PMDB,PFL,PSDB

Se beijarmos o primeiro beijo do Amor

NOBREZA

Amada, ainda não basta a mim e ao mundo
Revelar teu corpo e com ele fazer mapas
e Criar tua alma e com ela fazer mágicas

Depois da perfeição do teu espírito e da tua matéria
É mais do que necessário deixar o Rei nu
E transcender
Com mãos de Lavrador e coração de Poeta
As pedras e os pergaminhos do NOVO SÉCULO
Para o jovem Poeta cantar outro corpo e outra alma

ARTIGO FINAL, De Thiago de Mello

Fica proibido o uso da palavra liberdade,
a qual será suprimida dos dicionários
e do pântano enganoso das bocas.
A partir deste instante
a liberdade será algo vivo e transparente
como um fogo ou um rio
e a sua morada seré sempre
o coração do homem.
                                                           ( Fragmento do poema " Os estatutos do homem", 1977)

Thiago de Mello nasceu na Barreirinha, 30 de março de 1921.Natural do Estado do Amazonas, é um dos poetas mais influentes e respeitados no país, reconhecido como um ícone da literatura nacional.
Entre seus livros de peoesia, destacam-se "Faz escuro, mas eu canto"(1966), "Poesia comprometida com a minha e a tua vida"(1975) e " Os estatutos do homem"(1977).
Entre seus livros de prosa, destacam-se "Amazonas, pátria da água"(1991)
e " Borges na luz de Borges"(1996),

                                                       

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

ABRAÇA-ME, de Joumana Haddad

Abraça-me
para que se eu perder a minha estrela
sejas tu o pastor
para que se as minhas raízes mergulharem fundo
encontrem o teu abismo
para que se eu desperdiçar a minha vida
de ti consigo vidas e países.


Joumana Hadad nasceu em Beirute, no Líbano, no dia 6 de dezembro de 1970.
É poetisa, tradutora e jornalista.
Tem 5 livros de poesia publicados.
O tempo de um sonho(1995), Duas mãos verso o abismo(2000),
Convite para um jantar secreto(1998), não pequei o bastante(2004)
e O regresso de Lilith(2004).

domingo, 11 de dezembro de 2011

AMOR CASEIRO

Nêga, modelas teu sentimento
deixas teu rosal e teu poema para a nova estação
assimilas o segredo do vinho
esmeras a Amazônia com teu olho verde
e trocas tua carreira de modelo pelo suor nordestino

Nêga, se voltares a ser as letras da minha estrela
na festa dos signos
iluminarei a noite dos amantes
e comerei e beberei os sonetos da tua lua

Após o mais que perfeito
iremos à  roça
eu ressuscitarei a minha empregada Ana Alegria
e tu ressuscitarás o teu servente João-do-bem

CONCERTO DE DEZEMBRO

Abrindo as cortinas azuis do verão lírico do Recife

Edifica-se o Prefeito vermelho
com suas palavras lógicas de lavanda

A cozinheira Maria José
alimenta o povo de Boa Viagem
com feijão e arroz de grinalda

O livreiro Walfredo
embriaga cervejas e cortesãs
por ter vendido todos os versos
do Bandeira e do Cabral

O músico Paulo Diniz
é brilhatemente dos índios e dos negros
no marco do meio-dia

O soneto de Jaci Bezerra
é inaugurado e imortalizado com acácia

O poeta Juareiz Correya
bebe vinho louvando o sexo da sua musa América

Comemora-se a luz de Cìntya Jíminni
com seu amor espiritual
alimentando a vida com namorados da poesia

No centro da cidade
e além da vida dos namorados AMOR e POESIA
o velho mestre obra a sua arte
(sem festa e sem público)
cravado na sua testa armorial
há o maior nome da existência:
          DEUS